A Hora do Pesadelo (Samuel Bayer, 2010)

Diogo Augusto Gonçalves*

One, two, Freddy comes for you. E ele veio em um remake, feito pela Platinium Dunnes, de Michael Bay, Brad Fuller e Andrew Form. Com direção de Samuel Bayer (“Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana).

Cena do Filme A Hora do Pesadelo

Cena do Filme "A Hora do Pesadelo"

Nesse reinicio da franquia a história continua basicamente a mesma da serie original, Freddy Krueger era um psicopata que mutilava crianças, os pais dessas crianças resolveram se vingar e queimaram ele vivo em uma fabrica abandonada. Mas depois de morto Krueger ganhou o poder de entrar nos sonhos das crianças e transformar os sonhos em realidade, matando agora nos sonhos.

Esse novo reboot, se comparado com os outros que estão saindo no mercado (Sexta Feira 13, Helleowen), é muito mais fiel ao original, feito por Wes Craven, em 1984.

Há nesse novo filme muitas cenas similares ao filme original e mesmo muitas cenas iguais, como a seqüência da banheira ou a primeira morte, que são partes clássicas da primeira versão do filme. O que de certa forma, na questão das mortes, é uma pena dada à riqueza das possibilidades de trabalhar-se nos sonhos os medos de cada personagem.

Cena do filme A Hora do Pesadelo

Cena do filme "A Hora do Pesadelo"

Jackie Earle Haley, trás aos cinemas sua leitura do assassino das garras, dando a ele uma carga mais agressiva e assustadora do que o mesmo personagem já caricato de Robert Englund. Essa diferença de personalidade pode deixar alguns fãs do Ferddy de Robert insatisfeitos, mas é preciso dar créditos a essa nova versão do personagem que emprega maior realidade para o filme. É necessário ressaltar o trabalho da maquiagem desse novo Freddy, que foi feito com base em acidentes reais de queimadura.

É bom ser dito que os primeiros filmes da serie passada, não tinham toda essa comedia terror fantasia. Uma questão interessante no filme de Samuel Bayer é a mudança da paleta de cores no momento dos sonhos, essa mudança quebra um pouco com a questão de saber se o personagem está acordado ou dormindo, entretanto faz um paralelo entre realidade e fantasia. Além de ter todo um jogo de lentes durante o sonho, para deixar poucos detalhes em foco, com o resto do cenário desfocado. Com exceção do sonho em que eles descobrem o que aconteceu com Freddy, que possui uma paleta de cores diferente, mas tudo é muito nítido.

Porém o grande problema do filme não é a copia feita do original em alguns momentos do filme, mas sim a falta de empatia que se cria com os personagens principais. Desde o cinema clássico, se faz necessário que existam personagens carismáticos os quais criem um laço com o espectador e devido a isso você torça pelo sucesso desse ator dentro da diegese do filme. Em a Hora do Pesadelo, o personagem por quem se cria uma empatia é o próprio Freddy, o qual por grande parte do filme é considerado a vitima de tudo. Na realidade você como espectador torce para que Krueger mate todos, mas dessa forma não é sentida a perda desse personagem e é justamente isso que faz a beleza dos filmes de terror.

Cena do filme A Hora do Pesadelo

Cena do filme "A Hora do Pesadelo"

Apesar desses percalços, esse remake é um bom filme e traz uma nova leitura da saga de Freddy Krueger, uma leitura mais real. Então não é bom ir ao cinema esperando ver aquele terror fantasia, que fez a década de 80. Mas para prestigiar esse novo começo de um dos ícones do terror. E para aqueles fãs saudosistas, existem várias referencias ao clássico de Craven.

Diogo Augusto Gonçalves é graduando em Imagem e Som pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

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Um Comentário para: “A Hora do Pesadelo (Samuel Bayer, 2010)

  1. Achei resenha muito interessante e me senti curiosa a ver o filme também.
    Particularmente acho alguns filmes dessa serie um tanto quanto forçado e espero que o filme seja estimulante assim como a critica acima.

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