Avatar (James Cameron, 2009)

Vitor Vilaverde Dias*

A primeira crítica que ouvimos quando vamos procurar algum texto sobre o filme Avatar é o roteiro fraco, que a história é “Pocahontas 3D” ou ainda um “Iracema Hollyoodiano”, mas é inevitável concordar que James Cameron conseguiu um grande feito e que a qualidade do filme é inquestionável. Mesmo com um roteiro superficialmente banal, a história é completada por tramas secundárias bem desenvolvidas e, se o romance entre seres de espécies de diferentes é meloso à primeira vista, o pano de fundo se mostra aberto para várias discussões.

O mundo alienígena imaginado por Cameron é antes de tudo uma sociedade tribal com forte ligação com a natureza, e não diferente do que aconteceu na nossa história, uma outra sociedade com visão “limitada a um aparente progresso” ameaça o equilíbrio desse lugar. Cabe a um cadeirante e ex-fuzileiro enxergar a beleza existente em Pandora, motivado pela possibilidade de recuperar os movimentos de suas pernas (como recompensa de sua missão e também através de seu avatar).

Mas o que há de mais impressionante em todo o filme não é a trama, nem mesmo a critica “implícita” feita a relação do homem com sua natureza, que é reforçada pelo ponto forte do filme: a beleza das imagens.
Tudo é tão bonito e a sensação de tridimensionalidade é tão convincente que em algumas horas parecemos observar uma tela de vidro com as coisas acontecendo, um imenso aquário de um mundo gigantesco. A sensação de imensidão não ocorre apenas no mundo dos Na’Vi, as cenas onde o 3D parece ainda mais impressionante são protagonizadas pelos “atores reais”, pois a profundidade é explorada em planos com longos corredores e em planos e contra-planos onde o personagem parece estar praticamente na frente da legenda. Os “clichês” esperados de filmes em terceira dimensão de coisas voando da tela em sua direção ocorrem em poucos momentos, o que torna mais agradável, pois a plateia não fica desviando de objetos lançados da tela.
Assim, podemos entender que a preocupação com a beleza das imagens quase que excessiva é ainda um reforço à mensagem que o filme busca trazer com relação aos cuidados com a natureza. Pandora é um mundo tão bonito, e isso é compartilhado quase que em totalidade com o espectador, cada milímetro desse universo é impecável e quem assiste tem acesso quase que completo ao que acontece ali. Esse acesso é possibilitado em grande parte pelo uso do 3D.

Ainda não é possível afirmar que James Cameron realizou uma obra de arte virtual em três dimensões, ou que todos os filmes agora precisarão utilizar essa tecnologia para atrair publico. Avatar precisa ser impecável com as imagens e com o 3D para emitir sua mensagem, sem isso, não seria tão interessante. O mérito está no uso da tecnologia para contribuir com a linguagem. Mas é cedo para comparar com filmes como Star Wars ou ainda dizer que é um marco para a geração do século XXI.

Vitor Vilaverde Dias é graduando em Imagem e Som pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

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