Cobertura SeIS.15 – Chá da SeIS: Crítica Cinematográfica

Nesta terça-feira, 14 de abril, ocorreu no Auditório da Biblioteca Comunitária da UFSCar a mesa temática sobre crítica cinematográfica, promovida pela SeIS – Semana de Imagem e Som, mediada pelo Prof. Dr. Arthur Autran, com a participação dos críticos da revista eletrônica Cinética, Paulo Santos Lima e Francis Vogner dos Reis.

A partir do tema central América Latina, o Prof. Arthur Autran – doutor em Multimeios pela Unicamp e professor do Departamento de Artes e Comunicação da UFSCar – iniciou o evento indicando a proposta de se debater o papel da crítica e sua influência no meio cinematográfico, sua importância na formação de público e o repertório dos convidados.

Em resposta, Paulo Santos Lima – crítico de cinema e jornalista, colaborador do jornal Valor Econômico e redator da Cinética – propôs discutir a condição da crítica brasileira contemporânea através de relatos, por vezes causos, da sua experiência como redator na Folha de São Paulo, examinando as recentes transformações da grande imprensa que acarretaram no declínio dos cadernos culturais.

Enquanto, Francis Vogner dos Reis – mestre em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA-USP, roteirista e colaborador da revista Cinética – indicou o surgimento de uma nova geração de críticos a partir dos anos 1990, traçando um breve panorama histórico da crítica cinematográfica brasileira: do Chaplin Club, citando a Cinearte, aos críticos da década de 1950, até o advento da internet, culminando na realização da Cinética e da Foco, a partir do fenômeno da Sinopse e, principalmente, da Contracampo.

Retomando, o Prof. Arthur Autran, relacionou o discurso de ambos, ressalvando, nostalgicamente, o diálogo com a crítica francesa e observando a relação dos convidados com a tradição crítica – com destaque para os críticos brasileiros Rubem Biáfora, Alex Viany, e, especialmente, Paulo Emílio Salles Gomes.

Abrindo para perguntas do público, o mediador acresceu uma questão a respeito da repercussão das críticas publicadas na Cinética no meio cinematográfico. Para Paulo Lima, a revista evidencia um cinema renegado pela grande imprensa; Francis Reis acrescenta a importância da interlocução, propiciada pela revista eletrônica, entre críticos e realizadores.

Houve ainda tempo para mais uma pergunta, realizada por um dos ouvintes, quanto as dificuldades de existência de outras revistas cinematográficas como a Cinética: a principal causa, apontada pelos convidados, se refere a deficiência da remuneração.

A discussão ficou longe de se exaurir quando, infelizmente, o tempo no auditório se esgotou. Contudo, após os comprimentos dos alunos e do Professor aos críticos convidados, o debate continuou – com bolo e cinefilia – no Chá da SeIS.
[Texto revisado: 22 jun. de 2015]

 

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