Depoimento: Minha experiência como estagiária em preservação de vídeo usando ferramentas digitais

Lorena Ramirez-Lopez[1]

Tradução de Mateus Nagime

 

            A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos declarou que converter materiais para o padrão digital mais recente é a melhor forma de garantir a preservação de um material, seja para filme ou vídeo (e mesmo para alguns formatos digitais). Apesar disso, esse processo de digitalização pode ser um pouco intimidador. Também pode parecer difícil. Mas depois de estagiar com Dave Rice, arquivista e gerente de sistemas digitais do CUNY [Universidade da Cidade de Nova Iorque ] esse processo se revelou não ser tão ruim quanto parece. Certamente é preciso fazer amizade com o pessoal do setor de Tecnologia de Informação (TI) da instituição mas o processo além de ser possível também pode ser barato.

            Sou uma estudante de pós-graduação do programa de Preservação e Conservação de Imagens em Movimento (Moving Image Archiving and Preservation) da Universidade de Nova Iorque (NYU). Durante seu percurso acadêmico, todos os alunos devem passar por três estágios que duram de 10 a 12 semanas: o primeiro durante a primavera, depois no verão e por fim no outono. Cumpri meu último estágio no Centro de Graduação da Universidade da Cidade de Nova Iorque – City University of New York’s Graduate Center (www.gc.cuny.edu).

            O importante durante o processo de digitalização é conhecer a informação técnica da matriz, entender sobre todos os componentes tecnológicos envolvidos e saber qual será o destino e arquivo final da cópia produzida.

            Durante o tempo que eu passei na CUNY, trabalhei com muitas fitas Betacam SP e Umatic de 3/4 polegadas. O formato final em digital seria o FF video codec 1 (FFV1), um codec de vídeo intra-frame e sem perda de dados na compressão. Não sei muitos detalhes sobre este formato, mas o que eu sei é: 1) a organização para a qual trabalho quer especificamente este formato para seus arquivos e 2) FFV1 não é apenas adaptável, mas também faz parte do libavcodec, uma biblioteca gratuita de codecs com código aberto, onde você pode encontrar um monte de informação. E tudo isso usando a plataforma Mac, o que era incrível e conveniente.

            Eu tenho minhas fitas matrizes (Betacams e U-Matic) e tenho meu formato final (FFV1). As ferramentas de digitalização que eu uso são todas de código aberto (e gratuitas!). CUNY possui aparelhos de reprodução como o gravador de vídeo cassete VO-9850 da Sony que lê as fitas U-Matic. Sinceramente, encontrar as máquinas que reproduzem Betacam e U-Maticim é provavelmente a tarefa mais difícil de todas. Mas se você possui estes aparelhos, a digitalização pode ser feita pelo vRecord.

            Quando você usa produtos da Apple, você opera no Terminal, o equivalente do Mac para o Prompt de Comando do Windows.

            O HomeBrew (http://brew.sh) é um sistema de gerenciamento de pacotes para o OS X que instala comandos que faltam e faz a ligação entre novos scripts. Ele também precisa ser instalado. O vRecord é uma ferramenta de digitalização de código aberto que utiliza o sistema da BlackMagic Media Express para capturar sinais de vídeo. E mesmo se eu souber usar apenas vRecord em um sistema da Apple, o controle de qualidade pode ser feito tanto no Mac quanto no Windows ou mesmo no Ubuntu usando QCTools.

           QCTools (http://www.bavc.org/qctools) é a nova ferramenta de controle de qualidade a respeito da preservação em vídeo e pode ser baixada no site que também contém mais informações (em inglês) a respeito de seu uso.

Figura 1: Este diagrama mostra a ligação dos cabos em um aparelho U-Matic.

Figura 1: Este diagrama mostra a ligação dos cabos em um aparelho U-Matic.

[1] Mestre pelo programa de Preservação e Conservação de Imagens em Movimento da Universidade de Nova Iorque (NYU), onde atualmente trabalha como preservadora-adjunta no arquivo da internet da instituição.

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