El artista (Mariano Cohn, 2008)

Crítica d’El artista à arte contemporânea

Terceiro filme de direção conjunta de Mariano Cohn e Gastón Duprat, diretores argentinos ligados à produção para a televisão, documentários com fundo político e filmes experimentais, ele conta a história de um enfermeiro (Jorge) que trabalha num asilo cuidando de um senhor (Romano) que quase não fala, uma “planta”segundo ele, mas que possui um talento especial para artes plásticas.
Percebendo o possível valor que as gravuras de Romano poderiam ter no mercado de arte, Jorge as guarda em segredo, monta um portfolio e depois apresenta como se fossem dele à uma galeria, onde as obras são muito apreciadas como peças com estilo e originais – pelo menos é o que nos fazem crer os “especialistas” em arte contemporânea do filme, pois as obras nunca são mostradas.

Ocorre uma discussão indireta abrangendo o vazio na argumentação, mesmo com o acúmulo de conhecimento – representado pela estante cheia de livros na casa de Emiliano, dessa crítica especializada e, consequentemente, aos tipos de trabalho artístico que ela aprecia, muitas vezes igualmente sem conteúdo e promovidos por qualidades sem muito significado, como “forte, potente, essencial”. Palavras essas, sempre presentes nas falas dos personagens envolvidos com a galeria ou artistas, que por terem maior contato deveriam possuir mais apuro na sua avaliação.

Acompanhando a ascensão de Jorge como um ídolo da arte contemporânea usando os trabalhos do outro, chama a atenção no filme o grande cuidado com a fotografia. Uma câmera sempre estática mostra – com subjetivas de objetos, criando quadros dentro de quadros e salientando detalhes pela iluminação – os acontecimentos diante dela, deixando o que sai de quadro para ser compreendido pelo uso do som direto em off. Explora também a perspectiva e profundidade da cena. Mas a música e ruidagem se sobrepõe à imagem nos momentos de criação de Romano, dando um tom poético a estes.

A autenticidade do trabalho e o plágio são mostrados pela tentativa de imitação dos trabalhos por parte de Jorge quando o idoso pára de produzir. Fica evidente a “mão do artista” aí é que, de alguma forma, ela exerce uma influência única sobre o resultado gerado, dependendo a arte não apenas de quem vê, como diria Duchamp. Contudo, esta idéia é ilustrada no filme pelos planos na galeria, em que um enquadramento de trás da parede gera um quadro negro recortado por espaços retangulares, por onde se veem as pessoas admirando e comentando as peças.

O enredo continua até que então o artista é convidado a ir para a Itália como oferta de um curador, mas antes da viagem se concretizar, Romano morre, deixando Jorge a mercê de seu poder de convencimento e imitação do estilo do outro.

Henrique Dias Soares de Barros é graduando em Imagem e Som pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

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