Entrevista Com David França Mendes

 *Por Lidiane Volpi

Nesta edição, cuja temática aborda as narrativas seriadas voltadas para a televisão, o entrevistado é David França Mendes. Roteirista de cinema e TV, nesta entrevista o profissional tece considerações acerca do trabalho de roteirista, bem como questões temáticas e mercadológicas do audiovisual brasileiro atual. David também é responsável por manter um site onde frequentemente publica material acerca do meio audiovisual, especialmente no que se refere à roteiro. Este pode ser acessado pelo link que aparece ao final da entrevista.

RUA: David, você ja roterizou tanto para cinema quanto para televisão, além do meio e da estrutura, qual é a diferença de se trabalhar para cada um?

David: A principal diferença é profissional mesmo, isto é, na maneira como você se envolve no projeto. Na TV, em geral há mais gente envolvida e as coisas são mais rápidas. Em cinema, quase sempre você lida com o diretor e o produtor e mais ninguém, e demora séculos. Do ponto de vista do trabalho mesmo, a diferença é pequena. Eu gosto do trabalho mais coletivo na TV, é interessante, assim como gosto de ver o que a gente escreve pronto logo. Mas também gosto muito de ter tempo para desenvolver a afinar uma história, como eu tive, por exemplo, no longa “Corações Sujos”.

RUA: Atualmente, muito destaque tem-se dado para o formato das narrativas em série, há mercado para o roteirista especializado neste meio no mercado brasileiro atual?

David: Sim, há algum mercado. Não é o que as pessoas estão pensando, isto é, não são tantas oportunidades e em geral não é muito dinheiro, mas se eu fosse um roteirista iniciante tentando entrar no mercado hoje, tentaria pela via das séries.

RUA: Visto que as séries são divididas em temporadas e, dentro destas, em episódios. Como se dá o trabalho da equipe de roteiro?

David: Essa é uma pergunta complicada de responder em pouco tempo. Acabei de dar um curso inteiro, 24 horas aula, só sobre isso! O que eu posso dizer é que o trabalho mais importante e intensivo, mais difícil, é garantir a qualidade dos episódios. Por mais que uma série conte uma história ao longo da sua temporada, e que essa seja uma boa história, é por causa dos episódios, por causa do prazer que o espectador sente com os episódios, que ele retorna para ver mais daquela série.

RUA: Voltando nossos olhos para a temática, é possível vislumbrar algumas que sejam destaques no audiovisual brasileiro contemporâneo?

David: No cinema, nem preciso dizer, é a comédia de temática urbana, de relacionamentos etc. Na TV, acho que a principal tendência para os próximos anos será justamente uma variedade de formatos e temas. Os canais são muito variados, alguns precisam de policiais, outros de comédias, outros de infanto-juvenis e por aí vai. Essa demanda diversificada vai gerar (já está gerando) uma produção diversificada, e eu acho isso ótimo. Estou muito otimista com esse momento da TV.

RUA: Para quem está começando, entrando ou saindo agora das escolas superiores de audiovisual, qual o caminho a se traçar por aqueles que querem se especializar na área?

David: Posso falar da área de roteiro. Para se tornar profissional de roteiro, seja lá de onde for que a pessoa saiu, ela precisa de duas coisas: primeiro, ter boas coisas escritas, projetos e roteiros concretos e bons, muito bons. Depois, precisa se enturmar. Arrumar trabalho numa produtora, juntar uma galera e produzir coisas boas e botar no mundo, se envolver com eventos de cinema como festivais. Em resumo, você precisa ter trabalho realizado para mostrar e pessoas a quem mostrar seu trabalho. E nunca, nunca mesmo, ficar choramingando que não te dão chance. Não dão mesmo, nem para o cara que está começando nem para mim e nem para ninguém. É duro, muito duro entrar para o mercado de trabalho e ganhar a vida no cinema ou na TV.

Endereço do site mantido por David: http://davidfmendes.com/

*Lidiane Volpi é estudante de Imagem e Som na UFSCar e editora geral da RUA.

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