Fringe (JJ Abrams, 2008)

por Tatiana Carniato*

 

Pôster da série

JJ Abrams ganhou o status de gênio da TV pela criação de dois seriados, o primeiro é Alias, uma excelente série de espionagem, e o segundo, o fenômeno mundial, Lost. Em 2008 Abrams criou um terceiro, Fringe, cujo termo se refere a uma ciência de vanguarda que trata de assuntos ainda pouco conhecidos ou reconhecidos pela ciência tradicional. O mais interessante deste seriado é que por mais fantástica que seja (como telecinesia e vírus mutantes), toda a ciência apresentada na séria tem um pé na realidade.

A série é protagonizada pela atriz australiana Ana Torv que interpreta Olivia Dunham, uma agente do FBI que após se envolver num estranho caso, pondo em risco a vida de seu parceiro, acaba se unindo ao Dr. Walter Bishop e seu filho Peter para desvendar casos misteriosos. Dr. Bishop é um cientista brilhante que tem um surto psiquiátrico em certo ponto de sua vida e passa 17 anos num hospício. Para tirá-lo de lá Olivia precisa de um membro da família e é aí que entra Peter.

John Noble, Ana Torv e Joshua Jackson

A química entre o elenco é muito boa, especialmente a dinâmica de pai e filho estabelecida entre Walter e Peter. Individualmente as interpretações também são ótimas. Joshua Jackson é um ator simpático e carismático o que se encaixa perfeitamente com a personalidade de Peter; Ana Torv fica um pouco mais restrita em sua personagem, porém prova ter muito talento com o passar das temporadas ao ter a oportunidade de interpretar diferentes facetas de sua Olivia. No entanto, o grande destaque é John Noble, que faz um Walter amalucado, divertido, brilhante e ao mesmo tempo muito vulnerável. Falando do elenco a série conta ainda com uma participação muito especial de Leonard Nimoy (um ícone do gênero de ficção científica devido ao seu inesquecível Spock da série Jornada das Estrelas), o qual encarna o ex-parceiro de Walter.

A série está atualmente em sua quarta temporada e, infelizmente, em risco de cancelamento devido à baixa audiência nos EUA. Ao contrário das séries já citadas, que começaram excelentes e foram perdendo o fôlego em meados de suas terceiras temporadas por acabarem se perdendo em suas complexas mitologias, Fringe faz o caminho inverso. O seriado começa um pouco devagar, toma seu tempo para desenvolver seus personagens e suas histórias (tanto que uma das coisas mais bacanas é acompanhar alguns acontecimentos de temporadas seguintes que tem sementes plantadas já na primeira) além de, apesar de também ter uma mitologia complicada, a série ter o cuidado de dar ao telespectador algumas respostas antes de fazer mais perguntas.

Ana Torv como Olivia

Como já mencionado acima, a primeira temporada é um pouco lenta, se concentrando mais no estilo “casos da semana” e em estabelecer seus personagens e as relações entre eles. A segunda também começa meio devagar mas vai se desenvolvendo muito bem, fechando com um último episódio excepcional. A partir de então é simplesmente uma delícia de assistir. Fringe é uma série que tenta sempre surpreender, e consegue fazê-lo sem apelações, se mantendo fiel aos seus personagens e mantendo seus episódios muito consistentes.

Nesta quarta temporada Fringe está mais uma vez arriscando ao reinventar a série, modificando, com pequenas sutilezas, seu universo e seus personagens, porém sempre de acordo com sua mitologia. Ao assistir a um episódio sua mente acelera tentando desvendar todos os mistérios e enxergar as pistas plantadas pelos roteiristas. Por esses e outros motivos não tenho receio de dizer que Fringe é uma das melhores séries da atualidade e diferentemente de outras séries de ficção que a precederam parece saber bem o lugar no qual a jornada termina.

*Tatiana Carniato é graduada em Ciências Sociais na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

 

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