Realizando Izabel – Um relato sobre um Documentário feito por Universitários

*Por Maria Julia Carvalho

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Realizado como trabalho de conclusão do curso de Imagem e Som na UFSCar, IZABEL é um curta-metragem documental que fala um pouco do bairro Vila Izabel, em São Carlo-SP, ao relacionar a história de seus moradores com a história do bairro que teve inicio a partir do processo de ocupação urbana de “ex-escravos”, durante o período pós-abolicionista.

Seguindo o cronograma reservado a um “TCC de Imagem e Som”, o projeto foi realizado durante cerca de um ano, sob a orientação do Prof. Dr. Arthur Autran. O primeiro semestre foi dedicado ao período de pré-produção e produção, incluindo a pesquisa, trabalho no roteiro, estratégias de abordagem, e escolhas estéticas de fotografia e som. As gravações aconteceram durante uma semana, em junho de 2013. Já o segundo semestre, ficou reservado para o trabalho no roteiro de montagem, montagem e pós-produção.

Com uma formação acadêmica direcionada principalmente a realização de obras ficcionais, esbarramos em significativas dificuldades ao longo da realização do documentário. A começar pela pesquisa de campo: algo que, até então, não haviamos tido contato em nossa graduação. A pré-produção foi marcada pela pesquisa em bibliotecas, conversas com historiadores e outros pesquisadores que tratam sobre a história, formação e urbanização da cidade. Diante do material encontrado e de uma série de informações obtidas durante as visitas ao bairro, coube a nós descobrir o que tinha de interessante a ser contado audiovisualmente naquele lugar, direcionar o foco e o tema principal do documentário e sua construção narrativa.

Ainda durante o processo de pesquisa, uma outra novidade nos foi apresentada: a tarefa de produzir um roteiro de gravação para documentário. Nos parecia inconcebível “prever” e narrar as sequências diante de tanta imprevisibilidade. Neste momento, a figura do orientador foi muito importante. O que antes soava como uma “forma conservadora” de produção do documentário, nos proporcionou uma grande maturidade em relação ao tema. Através da construção do roteiro, cada entrevistado passou a ter uma função dentro da “narrativa” idealizada.

Como propusemos desde o inicio de construção do projeto, a partir de uma leitura crítica dos modos de representação definidos pelo teórico Bill Nichols, optamos por privilegiar uma abordagem interativa e poética na construção do filme: além da evidente interação da equipe de produção com os personagens, cenas do cotidiano do bairro e de seus respectivos moradores estão presentes na intenção de conferir um tom poético à

narrativa.

Quanto às opções técnicas dentro das limitações da realização de um documentário, o som optou por uma equipe super reduzida, em que esteve presente na locação somente o diretor de som. A equipe de foto se preocupou em ir preparada para as adversidades de tempo, considerando a importância das cenas externas, e também para os movimentos de câmera mais complexos, sem a possibilidade de ensaios prévios.

Ainda assim, o maior desafio encontrado foi em como lidar com não atores, como ganhar a confiança dos entrevistados para que se sentissem à vontade em frente à câmera tendo sempre a preocupação ética de não os expor de forma inadequada. Para isso, uma relação de confiança foi construída durante toda a pesquisa: fizemos várias visitas para que todos tivessem a oportunidade de conhecer a equipe e compreender o trabalho que faríamos ali.

Servindo como um grande incentivo a finalização do filme, o projeto foi premiado pelo 3º Chamado Público do Núcleo de Jornalismo do Canal Futura edição Especial para Audiovisuais Realizados por Estudantes. Além de uma boa contribuição financeira, considerando recursos mínimos para sua produção, o premio também proporciona um significativo aumento na visibilidade do curta que agora será exibido em rede nacional.

Mais informações sobre as pesquisas:
 
Joana D’Arc de Oliveira
“Da senzala pra onde? Trajetória espacial e social de negros libertos no Município de São Carlos-SP”
IAU-USP-FAPESP
 
Natalia Alexandre Costa
“Espaços negros na cidade do pós-abolição. São Carlos, um estudo de caso”
IAU-USP-FAPESP

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Fotos: Yago Barbosa

*Maria Julia Carvalho é formada em Imagem e Som pela Universidade Federal de São Carlos

 
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